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H.M.C. 4 – Renascença

Cravo de Giovanni Baffo, 1574, Veneza, Itália. Victoria and Albert Museum, Londres.

HISTÓRIA DA MÚSICA RENASCENTISTA (1400-1600), PARTE 2

Embora a música mais importante do início da Renascença tenha sido composta para a Igreja, a música secular desempenhou também uma parte essencial da vida cívica e cortês da época. Fruto de um grande intercâmbio de ideias na Europa, em que músicos e compositores transitavam entre cortes e capelas de diferentes países, juntamente com uma série de acontecimentos políticos, económicos e religiosos (como a Reforma Protestante e a Contra Reforma), aconteceram grandes mudanças na música durante o Renascimento. Para além da Igreja Católica, no final do séc. XVI o mecenato alargou-se para incluir as igrejas e cortes protestantes, os músicos amadores ricos, e a impressão musical – produzindo diversas fontes de rendimento para os compositores, num cenário que pode até parecer mais promissor do que o que temos atualmente…

Em 1501, um impressor veneziano chamado Ottaviano Petrucci publicou a primeira coleção significativa de música polifónica, a que se sucedeu a impressão musical em França, Alemanha, Inglaterra e noutros países. Antes de 1501, a música tinha de ser copiada à mão ou aprendida de ouvido; os livros de música pertenciam exclusivamente a estabelecimentos religiosos ou a cortes e famílias extremamente ricas. Depois de Petrucci, embora esses livros não fossem baratos, tornou-se possível que um número muito maior de pessoas os adquirisse e aprendesse a ler música.

Mais ou menos no mesmo período, a tecnologia dos instrumentos musicais levou ao desenvolvimento da viola da gamba, um instrumento precursor do violoncelo, e também à disseminação do cravo, alaúde, órgão e flauta de bisel. Estes instrumentos foram avidamente adoptados por músicos amadores europeus que, graças às publicações de Petrucci, tinham pela primeira vez partituras para tocarem. Surgiram então diferentes tipos de música instrumental, como as danças de corte Pavana e Galharda, aqui interpretadas pelo ensemble de Jordi Savall, com 5 violas da gamba (de diferentes tamanhos, com a maior assemelhando-se a um contrabaixo), guitarra, e percussão:

AUDIÇÃO: Pavana & Gallarda de Luis de Milán (1500-1561), pelo ensemble de Jordi Savall

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Do compositor John Dowland, de quem já falámos relativamente à doce melancolia das suas composições, uma outra Galharda, desta vez para alaúde:

AUDIÇÃO: Melancholy Galliard de John Dowland (1500-1561), por Nigel North

Uma outra dança, agora escocesa:

AUDIÇÃO: Dança Escocesa de William Brade (1560-1630), pelo ensemble de Jordi Savall

Terminamos com uma das minhas peças favoritas do Renascimento – de um compositor de origem portuguesa, Vicente Lusitano, autor de vários tratados e de um livro de motetes publicados em Itália em meados do séc. XVI. Num dos tratados publicados encontra-se o motete Heu me Domine, utilizando um cromatismo extremo para a época, que ainda hoje parece soar contemporâneo:

AUDIÇÃO: Heu me Domine de Vicente Lusitano (1553), pelo coro Skylark.

Alaúde de Marx Unverdorben, cerca de 1550, Veneza, Itália. Victoria and Albert Museum, Londres.

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