
Alegoria da Música de Laurent de la Hyre (1649), com a tiorba em primeiro plano.
HISTÓRIA DA MÚSICA BARROCA (1600-1750), PARTE 2
No seu novo foco na música instrumental, os músicos barrocos valorizavam o violino acima de todos os instrumentos, acreditando que o tom do violino tinha poderes expressivos semelhantes aos da voz. Os violinos eram os líderes melódicos da trio sonata (“sonata”=soar), que apesar do nome utilizava quatro instrumentos: dois violinos, um violoncelo e um cravo. (O violoncelo tocava a mesma música que a mão esquerda do cravista; portanto, havia realmente apenas três partes independentes, daí “trio”.) A trio sonata consistia numa sequência de andamentos curtos, alguns lentos, e outros rápidos, como é o caso do que vamos ouvir:
AUDIÇÃO: Trio Sonata #1, primeiro andamento, de Domenico Gallo (início séc. XVIII), por Parnassi Musici
O concerto exigia um grupo maior de instrumentos do que a trio sonata. No concerto, um solista ou pequeno grupo de solistas contrasta com um grupo maior de instrumentos. (No entanto, mesmo o grupo maior era tipicamente muito menor e mais homogéneo do que a orquestra sinfónica de hoje.) Frequentemente, os concertos alternavam entre passagens focadas nas proezas técnicas do solista, e passagens que mostravam o peso do grupo instrumental completo. Os concertos para violino barroco mais famosos estão reunidos nas Quatro Estações de Antonio Vivaldi (1678-1741); vamos ouvir o concerto final Inverno, em instrumentos originais da época.
AUDIÇÃO: Inverno das Quatro Estações, de Vivaldi (1725), por Cynthia Freivogel and Voices of Music
Enquanto no concerto anterior o instrumento solo que contrasta com o grupo maior é o violino, no concerto seguinte o instrumento solista é a flauta de bisel. Embora nem todos tenhamos boas memórias deste instrumento (graças às flautas de bisel de plástico que se aprendem na escola…), vale a pena dar-lhe uma nova oportunidade com esta peça maravilhosa de Telemann. Este compositor alemão é considerado o mais prolífico de todos os tempos, estimando-se que tenha escrito mais de 3000 composições.
AUDIÇÃO: Terceiro andamento do Concerto em dó M para flauta de bisel, de Telemann (entre 1708 e 1750), por Philip Pickett e New London Consort
Para além da música de câmara (pequeno grupo instrumental), o Barroco produziu também muita música para instrumentos solo. Vamos ouvir uma tocatta para tiorba – um instrumento de cordas derivado do alaúde – de Kapsberger que, apesar de ter já mais de 400 anos, parece estranhamente dos nossos dias. (A toccata (“tocatta” = tocada) é uma pequena peça com padrões melódicos intrincados e dedilhado rápido.)
AUDIÇÃO: Tocatta Arpeggiata de Kapsberger (1604), por Jakob Wagner
Uma das peças para instrumento solo mais populares do Barroco é o Prelúdio da Suite para Violoncelo em Sol M de Bach, aqui tocada pelo Yo-Yo Ma. Como vimos num artigo anterior, uma suite é um conjunto de danças – depois do Prelúdio segue-se a Allemande, Courante, Sarabande, Minueto, Gigue.
AUDIÇÃO: Prelúdio da Suite para Violoncelo em Sol M de Bach (1717-1723), por Yo-Yo Ma
Os músicos de Caravaggio (1595), mostrando um alaúde.