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H.M.C. 7 – Barroco

A lição de música, de Vermeer (c. 1662–1665), em que uma mulher toca virginal, um instrumento parente do cravo.

HISTÓRIA DA MÚSICA BARROCA (1600-1750), PARTE 3

Os instrumentos de teclas mais típicos do Barroco são o cravo, clavicórdio, órgão, e o pianoforte. Entre estes, o cravo foi o instrumento mais importante, quer como solista ou instrumento acompanhador. Embora o pianoforte tenha sido criado neste período, considera-se que a “era do piano” só começa depois do Barroco, entre 1765-1770, época das primeiras sonatas de Haydn; salvo raras exceções, todas as composições para teclado anteriores a esta época eram destinadas ao órgão, cravo ou clavicórdio.

Vamos então começar com o cravo, que é o antecedente direto do piano. Do ponto de vista visual, a diferença mais evidente entre o cravo e o piano é que o primeiro não tem pedais, é mais pequeno e tem teclas mais finas. Em termos sonoros, o cravo tem um som mais uniforme, sem as mudanças de intensidade que o piano permite. Relativamente à mecânica, enquanto no piano as cordas são tocadas por martelos, no cravo as cordas são beliscadas por um plectro, feito de penas de aves (como do corvo). Neste vídeo temos uma curta demonstração do cravo e das suas diferentes sonoridades: 

No artigo anterior ouvimos uma toccata (pequena peça virtuosa com dedilhado rápido) para tiorba; desta vez ouviremos uma toccata para cravo de Frescobaldi:

AUDIÇÃO: Tocatta Settima de Girolamo Frescobaldi (1583-1643), por Jean Rondeau

A fuga combina o virtuosismo da toccata com uma abordagem mais consistente e estruturada. Essa abordagem consiste na introdução da mesma melodia (o ‘tema’) em várias vozes; o tema é depois repetido periodicamente ao longo da composição. J. S. Bach compôs 48 fugas, cada uma precedida de um prelúdio, na sua coleção “O Cravo Bem Temperado” (“Bem temperado” diz respeito à afinação moderna, em que a oitava é dividida em 12 semitons iguais, de forma que todas as tonalidades são equivalentes; “cravo” referia-se a qualquer instrumento com teclado, exceto um órgão de tubos.)

AUDIÇÃO: Prelúdio e Fuga em dó menor de Bach (1722), por Benjamin Alard (cravo)

Se tiverem curiosidade sobre o funcionamento da fuga, Glenn Gould escreveu uma fuga satírica para 4 vozes que, além de bem humorada, é uma bela demonstração sobre como é construída:

AUDIÇÃO: So you want to write a fugue, de Glenn Gould (1963)

O compositor português Carlos Seixas, figura central do nosso Barroco, escreveu um concerto belíssimo para cravo e orquestra:

AUDIÇÃO: Concerto para cravo e orquestra em LáM de Carlos Seixas (1704-1742), pela Norwegian Barrock Orchestra

O pianoforte foi inventado em 1700 na corte florentina dos Médici, por Bartolomeo Cristofori. Destinado principalmente ao acompanhamento, a invenção de Cristofori foi chamada de gravicembalo col piano e forte (grande cravo com piano e forte), em referência à sua flexibilidade dinâmica inovadora. Enquanto o som do cravo se mantém maioritariamente constante em termos de volume, este novo instrumento permite tocar ‘piano’ (suavemente) e ‘forte’.

O piano mais antigo que sobreviveu, da oficina de Cristofori, é de 1720, e está no MET (museu de Nova Iorque). Vamos ouvir uma sonata de Scarlatti tocada precisamente neste instrumento:

AUDIÇÃO: Sonata K.9 de Domenico Scarlatti (1685-1757), por Dongsok Shin (pianoforte)

Embora o seu mecanismo prefigure o piano moderno, o teclado do pianoforte de Cristofori é mais curto, e não tem pedais. Para uma história mais detalhada da evolução do piano desde o início em 1700 até ao séc. XIX, sugiro esta página: https://www.mvim.com.br/em-pauta/a-evolucao-do-piano/

Exatamente do mesmo ano que o pianoforte que acabámos de ouvir – 1720 – é o órgão Barroco do mosteiro de São Bento da Vitória, no Porto. Entre os órgãos históricos da região do Porto inclui-se também o órgão da Sé do Porto (1726), da Igreja dos Clérigos (1774), e um pouco mais a sul, o órgão do Mosteiro de Grijó em Gaia (1790). Vamos ouvir uma sonata de Carlos Seixas gravada neste último:

AUDIÇÃO: Sonata K. XXII de Carlos Seixas (1704-1742), por José Carlos Araújo

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