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H.M.C. 8 – Clássico

The Sense of Hearing de Philippe Mercier (1744 a 1747)

HISTÓRIA DA MÚSICA CLÁSSICA (1750-1820), PARTE 1

Em contraste com a complexidade do Barroco, a música do período Clássico distingue-se pela simplicidade, clareza estrutural e elegância. O cravo foi oficialmente substituído pelo piano (ou pianoforte), que começou a ganhar muita popularidade como instrumento doméstico e de concerto.

No que diz respeito à música ocidental, a segunda metade do século XVIII é frequentemente chamada de período ‘clássico’; a música deste período é considerada muito diferente da do período barroco. Em contraste com a complexidade deste, a música do período Clássico distingue-se pela simplicidade, clareza estrutural e elegância. No entanto, a transição do Barroco para o Clássico foi gradual. Há três tendências de meados do século XVIII que estiveram por trás desta transição.

A primeira tendência consistiu numa reforma da ópera – vários compositores reagiram contra o que consideraram as convenções sentimentalistas da ópera barroca italiana. Estes compositores queriam tornar a ópera mais natural e diretamente expressiva, com mais foco na narrativa dramática e menos em fornecer passagens de ornamentação elaborada e vistosa aos cantores solistas. O mais bem-sucedido destes compositores foi Gluck (1714-1787). Os temas que escolheu não eram novos: Orfeo ed Euridice de Gluck reconta a lenda de Orfeu, assim como o famoso Orfeo de Monteverdi 150 anos antes. Na ária “Che farò senza Euridice”, Orfeu canta a sua tristeza por Eurídice ter sido levada para o submundo:

AUDIÇÃO: Che farò senza Euridice da ópera Orfeo ed Euridice de Gluck (1762), por Jakub Orliński

Versão alternativa cantada por Maria Callas:

Desta mesma ópera, um momento instrumental com lindíssima coreografia de Pina Baush:

AUDIÇÃO:  Dance of the blessed spirits da ópera Orfeo ed Euridice de Gluck (1762), com coreografia de Pina Baush:


A segunda tendência foi uma mudança no estilo da música solo para teclado. O cravo foi oficialmente substituído pelo piano (ou pianoforte), que começou a ganhar muita popularidade como instrumento doméstico e de concerto. Carl Philipp Emanuel Bach (1714-1788), filho do (agora) mais famoso J.S. Bach, preferia não o cravo, mas o clavicórdio e o pianoforte, instrumentos que soavam mais forte ou mais suave dependendo da intensidade com que as suas teclas eram tocadas. A música para teclado de C. P. E. Bach usa essa variabilidade dinâmica para reproduzir a expressividade da música vocal italiana do século XVIII. Os andamentos lentos de C. P. E. Bach, como o seguinte, exemplificavam o estilo empfindsam (“cheio de sentimento”), que se acreditava expressar paixão contida e melancolia:

AUDIÇÃO: Terceiro andamento da Sonata em Si menor de C. P. E. Bach (1774), por György Cziffra

A terceira tendência foi a introdução da sinfonia, uma obra com vários andamentos para orquestra. As primeiras sinfonias, como as de Giovanni Battista Sammartini (1701-1775), foram modeladas nas aberturas (peças instrumentais introdutórias) da ópera barroca italiana.

AUDIÇÃO: Primeiro andamento da Sinfonia em Sol Mde Sammartini (c. 1750)

Com o tempo, a sinfonia ganhou prestígio; sinfonias mais longas foram escritas, e para orquestras maiores. (No entanto, a orquestra do final do século XVIII contava apenas com cerca de 30 músicos, em contraste com os 70 ou mais músicos das orquestras modernas.) Franz Joseph Haydn (1732-1809) escreveu 104 sinfonias durante a sua longa carreira; muitas delas destinavam-se à orquestra privada do príncipe Nicholas Esterhazy. Vamos ouvir a Sinfonia nº 49, que se distingue pela inclusão de uma vasta gama de emoções; ao escrevê-la em 1768, o compositor começava a entrar no chamado período ‘Sturm und Drang’. Traduzido como “tempestade e tumulto”, o estilo caracterizou grande parte da música e da literatura gótico-romântica do final da década de 1760 ao início da década de 1780. Presente também na música de Mozart e Wagner, o estilo ‘Sturm und Drang’ tende a envolver tempestades e drama, e a lidar com assuntos turbulentos, apresentando rápidas mudanças de andamento e linhas melódicas dinâmicas e não convencionais.

AUDIÇÃO: Sinfonia nº 49 ‘La passione’de Haydn (c. 1768), pela Orchestre philharmonique de Radio France dirigida pela maestrina e cantora Barbara Hannigan

Haydn escreveu também muitos exemplos de quarteto de cordas, outro género nascido no final do século XVIII. ‘Quarteto de cordas’ descreve uma combinação específica de instrumentos – dois violinos, viola, violoncelo – e também designa qualquer obra escrita para esta combinação. Ao contrário da música de câmara barroca, o quarteto de cordas não tem baixo contínuo (acompanhamento feito por instrumentos como cravo). Os quartetos de cordas de Haydn incluíam normalmente quatro andamentos, com o último mais dinâmico e rápido, como o que vamos ouvir. Este quarteto é chamado ‘The Joke’ devido ao seu final enganador:

AUDIÇÃO: Último andamento do quarteto de cordas op. 33 nº2 ‘The Joke’,de Haydn (1781), pelo Harlem Quartet


Lady Frances Seymour Conway (1751–1820), Countess of Lincoln by William Hoare

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