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H.M.C. 9 – Clássico

Retrato de Mozart em criança, por Greuze (1763-64).

HISTÓRIA DA MÚSICA CLÁSSICA (1750-1820), PARTE 2

Nome incontornável do período clássico, Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) viajou pela Europa como uma criança prodígio; ao atingir a idade adulta, estabeleceu-se em Viena. A música da era clássica é por vezes referida como “Classicismo Vienense”, uma vez que Viena era um epicentro de atividade musical na época, onde moraram Gluck, Haydn, Salieri, Mozart, e Beethoven.

Além de várias óperas cómicas em italiano, Mozart escreveu a célebre Flauta Mágica com libreto em alemão, centrada nas aventuras do Príncipe Tamino e do caçador de pássaros Papageno na sua missão para resgatar Pamina. Para auxiliar a sua missão, recebem instrumentos musicais melhorados com poderes mágicos, que utilizam para vencer as provações e tribulações colocadas no seu caminho em direção a uma compreensão mais profunda do verdadeiro amor e felicidade. Uma das suas arias mais conhecidas, o dueto de Papageno e Papagena, celebra de forma humorística a inocência do amor:

AUDIÇÃO: Dueto Papageno e Papagena da ópera Flauta Mágica de Mozart (1791), por Detlef Roth and Gaële Le Roi

Rainha da Noite, da mesma ópera, escrita para soprano de coloratura dramática, é uma ária impressionante de poder vocal e virtuosismo, exigindo uma grande amplitude de registo, intensidade e agilidade. São especialmente famosas as sequências com notas agudíssimas em staccato, que acompanham a sua descarga de fúria:

AUDIÇÃO: Ária da Rainha da Noite da ópera Flauta Mágica de Mozart (1791), por Diana Damrau

No período clássico mantém-se a popularidade do concerto – obra para instrumento solista e orquestra -, tal como acontecia no Barroco. Vamos ouvir um andamento lento do concerto para piano nº23 de Mozart, que confirma a popularidade que o piano usufruía na época, aqui tocado pela pianista Maria João Pires. Contrastando com o carácter leve e alegre que frequentemente se associa à música de Mozart, este andamento tem um tom mais melancólico e reflexivo:

AUDIÇÃO: Segundo andamento (Adagio) do Concerto nº23 em lá M de Mozart (1786), por Maria João Pires

A Serenata nº 10 para instrumentos de sopro de Mozart tem tido diversas aparições na cultura popular, como a cena do filme Amadeus em que é descrita de forma comovente por Salieri (a partir de 1’03):

“On the page it looked nothing. The beginning simple, almost comic. Just a pulse – bassoons and basset horns – like a rusty squeezebox. And then suddenly, high above it, an oboe, a single note, hanging there unwavering, until a clarinet took it over and sweetened it into a phrase of such delight! This was no composition by a performing monkey; this was a music I’d never heard. Filled with such longing, such unfulfillable longing. It seemed to me that I was hearing the voice of God.”

(Esta cena foi parodiada na série How I met your mother, na descrição do “melhor hamburger de Nova Iorque”:

E finalmente, ouvimos aqui a peça em versão completa:

AUDIÇÃO: Andamento III (Adagio) da Serenata nº10 para instrumentos de sopro de Mozart (1781 ou 1782), pela London Symphony Orchestra

Requiem em ré menor é uma das obras mais icónicas de Mozart, estando a sua origem envolta em diversas conjeturas – a esposa de Mozart afirmava que ele recebeu a encomenda de um mensageiro misterioso, e que acabou por acreditar que estava a escrever o Requiem para o seu próprio funeral. Mozart morreu de doença aos 35 anos, deixando a composição do Requiem incompleta.

‘Requiem’ significa ‘descanso’, e é a primeira palavra dita durante o ritual dedicado ao repouso da alma do falecido: Requiem aeternam dona eis, Domine (“Senhor, concede-lhes o eterno descanso”); denomina também as composições musicais que acompanham cerimónias fúnebres.

Para uma audição mais curta, sugiro o Lacrimosa; abaixo temos o Requiem completo.

AUDIÇÃO: Lacrimosa do Requiem em ré m de Mozart (1791), pela Rundfunk-Sinfonieorchester Berlin

AUDIÇÃO: Requiem em ré m de Mozart (completo) (1791), pela Orchestre national de France e Choeur de Radio France

(Recomendo vivamente ouvirem o Introito, que começa em 1’19 neste vídeo.)

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