Estudos indicam que aprender piano em qualquer idade, mesmo em idades mais avançadas, proporciona melhoria da memória, da habilidade motora, e das funções cognitivas em geral, ajudando também a combater o declínio cognitivo ligado a demência e doenças degenerativas (por favor ver links para estudos no final do artigo).
Aprender piano mostra também benefícios adicionais em termos de bem estar emocional e psicológico (até comparativamente a outras atividades de lazer), reduzindo níveis de stress e depressão, e aumentando a auto estima, tranquilidade e motivação: “…o estudo de piano pareceu trazer benefícios emocionais adicionais em relação a outras atividades de lazer. Foi encontrado um aumento significativo em aspectos da qualidade de vida, relacionados com o bem-estar psicológico e a saúde física. Isto foi ainda corroborado pelo facto de terem diminuído os valores associadas ao sofrimento psicológico e à fadiga no grupo de piano, mas não no grupo de controlo.”
Para lá das explorações científicas relativas às suas aplicações terapêuticas e neurológicas, sabemos instintivamente que a música tem uma presença vital e necessária nas nossas vidas – agindo quer como bálsamo consolador, quer como dínamo de energia, interrompendo a rotina diária com momentos de beleza e poesia em forma sonora. Como disse Oliver Sacks,
“A música, única entre as artes, é ao mesmo tempo completamente abstracta e profundamente emocional. Não tem o poder de representar seja o que for de concretoou de exterior, mas tem um poder único no que se refere à expressão de estados internos ou de sentimentos. A música é capaz de nos tocar directamente o coração; não requer mediações.” (Sacks, 2008, p. 302).
Paralelamente à importância de ouvir música, a experiência de fazer – cantar, tocar, improvisar, compor – é insubstituível. Embora atualmente sejamos encorajados a simplesmente consumir gravações e concertos, vemos por todo o lado – até nas cantigas de embalar que nos cantavam em criança – evidências de que todos podemos fazer música ativamente:
“Seja qual for a função da música, estou certo, primeiro, que participar num acto musical tem uma importância fundamental para a nossa própria humanidade, tão importante como participar num acto de discurso verbal, com o qual tanto se assemelha (mas do qual também difere de forma significativa) e, segundo, que todo o ser humano nasce com o dom da música não menos que com o dom do discurso. Se assim for, então a nossa vida atual de concertos, sejam eles “clássicos” ou “populares”, em que poucos “talentosos” têm o poder de produzir música para a maioria “sem talento”, baseia-se numa falsidade. Significa que os nossos poderes de fazermos música para nós mesmos foram sequestrados, e a maioria das pessoas foi roubada da musicalidade que lhes é inerente por direito de nascimento, enquanto algumas estrelas se tornam ricas e famosas vendendo-nos aquilo que acreditamos que nos falta.” (Small, 1998)
Nas aulas do estúdio praticamos diversas formas de fazer música, potenciando a musicalidade intrínsica de cada aluno e o seu gosto pela música.